Livro | DMP | OSDA | A sociedade do anel - Livro 1 - J. R. R. Tolkien

Edição: O senhor dos aneis - volume único - Martins Fontes - 2003

O senhor dos anéis é uma das obras mais importantes da literatura mundial, britânica e de fantasia. J. R. R. Tolkien criou um universo tão fantástico, que até hoje consegue-se encontrar elementos dele espalhados por outras obras, todas querendo fazer jus à obra que todo nerd e fã de fantasia medieval idolatra.

O livro toca em um tema que me agrada muito, que é a amizade. O laço que une os quatro hobbits ao saírem do Condado e se aventurarem naquele mundo feito para os gigantes, cruel e hostil. A amizade que une os nove membros d'A Sociedade do Anel, protegendo o portador e uns aos outros da melhor forma que conseguem. E principalmente, a amizade entre Frodo e Sam, que partem sozinhos em uma aventura da qual podem nunca voltar.

Para quem não sabe, e eu mesma fiquei sabendo apenas há uns dias, O senhor dos anéis não foi concebido como uma trilogia, mas sim como um livro único. E, por causa da guerra, quando os recursos para publicação de livros estavam em baixa, o editor de Tolkien sugeriu que o livro fosse publicado em partes:

A sociedade do anel - Livro I e Livro II
As duas torres - Livro III e Livro IV
O retorno do rei - Livro V e Livro VI

Hoje, vou falar especificamente sobre a primeira parte desse livro, que engloba desde o capítulo I (Uma festa muito esperada) até o capítulo XII (Fuga para o vau).

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::: PREFÁCIO :::

A minha edição começa com um prefácio escrito pelo próprio autor, no qual ele faz algumas considerações sobre sua inspiração para escrever o livro ou, melhor dizendo, aquilo que não foi sua inspiração. Por muito tempo, afirmou-se que O senhor dos anéis era uma alegoria sobre a Segunda Guerra Mundial. Inclusive, foi exatamente isso que ouvi de um professor na faculdade de jornalismo. Porém, no prefácio, J. R. R. Tolkien afasta essa ideia:

"A verdadeira guerra não se assemelha à guerra lendária em seu processo ou em sua conclusão. Se ela houvesse inspirado ou conduzido o desenvolvimento da lenda, então certamente o Anel teria sido apreendido e usado contra Sauron; (...) Outros arranjos poderiam ser criados de acordo com os gostos ou as visões daqueles que gostam de alegorias ou referências tópicas. Mas eu cordialmente desgosto de alegorias em todas as suas manifestações (...)."

::: PRÓLOGO :::

O prólogo é uma das partes difíceis para quem está começando a ler Tolkien. Isso porque, nesse ponto, ele não vai começar com uma história sobre a qual o livro vai se desenvolver. O autor optou por falar dos hobbits, um povo baixo - alcança no máximo 1, 50 m -, simpático e astuto, e muito faminto. Tolkien conta tudo o que pode sobre eles: a história, a cultura, a relação com a comida, a relação com a erva-de-fumo e até os feitos de hobbits famosos, como Bilbo Bolseiro, Frodo Bolseiro e outros que conheceremos nos capítulos seguintes...

Nesse ponto, Tolkien também fará uma espécie de resumo do livro O hobbit, falando sobre como Bilbo Bolseiro encontrou o Um Anel e trouxe para o pacífico Condado, onde o Um Anel permaneceu em silencioso repouso por longos anos.

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Para quem assistiu apenas aos três filmes de O senhor dos anéis dirigidos por Peter Jackson, pode parecer chocante ler esse primeiro capítulo e descobrir que, não apenas Bilbo e seu sobrinho Frodo fazem aniversário no mesmo dia, como um está fazendo 111 anos e o outro 33 anos, respectivamente.

A idade avançada de Bilbo é uma estranha circunstância para o povo do Condado, que não estavam acostumados a ver um hobbit chegar tão longe na vida. De fato, um hobbit normal não poderia viver tanto, mas Bilbo tinha um segredo: o Um Anel. De alguma forma, aquele anel o fazia viver muito além do tempo natural.

No final do primeiro capítulo, Bilbo parte para uma nova aventura, deixando para Frodo seu bem mais precioso. O Um Anel.

Segundo o próprio autor, o segundo capítulo, "A sombra do passado", é um capítulo essencial na história, pois conta toda a verdadeira história do Um Anel, desde que foi criado, até o momento em que é deixado sob os cuidados de Frodo. Uma história obscura e poderosa, que faz Frodo recuar diante da imensa responsabilidade que é colocada sob seus ombros despreparados. No entanto, segundo Gandalf, o mago, apenas um hobbit, poderia aguentar aquele fardo, como Bilbo havia provado.

O Um Anel foi criado por Sauron, para dominar outros anéis de poder que estavam sob a posse daqueles com alguma influência na Terra Média:

"Três Anéis para os Reis-Elfos sob este céu,
Sete para os Senhores-Anões em seus rochosos corredores,
Nove para Homens Mortais, fadados ao eterno sono,
Um para o Senhor do Escuro em seu escuro trono
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam.
Um Anel para a todos governar, Um Anel para encontrá-los,
Um Anel para a todos trazer e na escuridão aprisioná-los
Na Terra de Mordor onde as Sombras se deitam"

Frodo recebe de Gandalf o aviso de que chegará o dia em que ele precisará sair do Condado, levando o Um Anel para o fogo de Mordor, único local onde ele poderá ser destruído.

Mas demora pelo menos 17 anos para que isso realmente aconteça. E mesmo assim, apenas depois que ele descobre estar sendo perseguido por criaturas negras que andam à noite, à cavalo e são capazes de sentir sua presença - ou a do Um Anel - há vários quilômetros de distância. São os Cavaleiros Negros, espectros do Um Anel, que vêm buscando-o para devolver ao seu verdadeiro dono, Sauron.

Enquanto se prepara para sair do Condado, Frodo conta com a ajuda de seus amigos, Pippin, Merry, e de seu jardineiro, Sam. Apesar de não ter contado a eles quais eram seus planos, no fim Frodo descobre que todos já sabiam e pretendiam partir com ele para a estranha aventura.

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No caminho para a cidade de Bri, os quatro hobbits se perdem em uma floresta na qual as árvores parecem se mexer e repeli-los. Só conseguem escapar com a ajuda do cantarolante e saltitante Tom Bombadil.

Na minha primeira leitura de A sociedade do anel, eu tive séries dificuldades para ler o trecho em que os quatro hobbits passam pela residência de Tom Bombadil, em seu caminho para a cidade de Bri. Não conseguia gostar da cantoria e do jeito desse personagem. Nessa segunda leitura, no entanto, a passagem toda pareceu bem menor do que eu me lembrava e bem mais tranquila. E, dessa vez, me prendi mais à questão "Quem é Tom Bombadil?"

"- Ele é - disse ela (Fruta d'Ouro), cessando seus movimentos rápidos e sorrindo. Frodo olhou para ela curioso. - Ele é, como já viram - disse ela em resposta ao olhar de Frodo. - Ele é o Senhor da floresta, das águas e das colinas.
"- Então toda esta região estranha lhe pertence?
"- Na verdade não! - respondeu ela, e o sorriso que tinha no rosto desapareceu. - Isso seria um fardo pesado demais - acrescentou ela em voz baixa, como se falasse consigo mesma. - As árvores e o capim e todas as coisas que crescem ou vivem neste lugar só pertencem a si mesmas. Tom Bombadil é o Senhor. Ninguém jamais prendeu o velho Tom quando ele caminhava pela floresta, atravessava as águas, ou pulava nos topos das colinas, seja de noite, seja de dia. Ele não tem medo. Tom Bombadil é o Senhor."

Ou seja, não fica muito claro.

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Quando chegam à cidade de Bri, onde pensavam encontrar Gandalf, descobriram que o mago não era visto há vários meses. Além disso, a cidade parecia estar à beira de um grande acontecimento, embora o sentimento ainda fosse incerto. Pessoas estranhas chegavam e partiam todos os dias, com frequência cada vez maior e com histórias ainda mais estranhas. Uma sombra crescia sobre todos e o medo já começava a predominar.

A chegada dos quatro hobbits vindos do Condado - coisa que não acontecia com frequência - parecia
apenas mais uma das muitas coisas estranhas que vinham acontecido. Tentando passar despercebidos, os hobbits acabam chamando atenção demais para si. Uma contradição estranha apenas se não se considerar que eles não tinham ideia real do perigo que estavam correndo.

Na pousada "Pônei saltitante" eles conhecem Passolargo, um homem que conhece os caminhos para a lendária Valfenda, a terra dos elfos. Passolargo é um homem misterioso e de ar perigoso, mas se anuncia como amigo de Gandalf e amigo dos hobbits em sua missão. Apesar de não acreditarem no homem logo de cara, as circunstâncias fazem com que os quatro hobbits só possam contar com ele para sair da situação onde se encontram, pois os Cavaleiros Negros foram alertados sobre seu paradeiro.

Ao partirem para Valfenda, o novo grupo tem seu primeiro confronto com os Cavaleiros Negros e Frodo, que decide usar o Um Anel para tentar escapar, acaba se colocando em um perigo ainda maior e é atacado com uma lâmina negra.

A primeira parte termina com a chegada dos hobbits e Passolargo à Valfenda, mas Frodo está mortalmente doente e precisa de ajuda imediata.

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Nossa, esse post ficou bem maior do que eu imaginava :P

Ainda não está no formato que eu queria, mas vamos ver no que vai dar, não é?

Ainda não sei quando vou postar a segunda parte, porque eu ainda tenho que lê-la, mas nos vemos no próximo sábado com outro post. Até a próxima então ^_^

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