Filme | Resenha | Animais fantásticos e onde habitam


Anunciado como um spin off da série Harry Potter nos cinemas, o filme sofreu no início com o desconhecimento de algumas pessoas a respeito de sua ligação com o livro de mesmo nome, lançado anos atrás como material extra da série original. Afinal, inicialmente foi anunciado como uma nova trilogia e as pessoas se perguntavam se aconteceria a mesma coisa que aconteceu com a trilogia cinematrográfia de O hobbit, que adaptava um livro de 300 páginas.
A preocupação é compreensível, mas gerada pelo desconhecimento. O livro Animais fantásticos e onde habitam foi lançado como um paradidático dentro do universo, um catálogo de criaturas mágicas que o zoologista Newt Scamander descobriu durante sua juventude e reuniu em um livro. Parte da renda das vendas deste e de Quadribol através dos séculos, outro livro extra, era convertido para a Fundação Lumus, criada por J. K. Rowling para ajudar crianças carentes. O interessante do livro é que ele era apresentado como sendo o exemplar de Harry durante seus anos de estudo em Hogwarts.



A história do filme se passa em 1926 e começa quando Newt Scamander chega a Nova York com sua maleta cheia de criaturas mágicas que ele vem catalogando. Ele planeja libertar um dos animais em seu habitat natural, após recuperá-lo de um contrabando. Chegando nesse novo mundo, desconhecido tanto para ele quanto para os fãs, que estavam acostumados à Londres dos anos 90, Newt logo se depara com um grupo de "trouxas" que está divulgando a existência de bruxos e exigindo uma "segunda Salem" para combatê-los. Enquanto assiste à cena curiosa, Newt percebe que um dos seus animais deu uma escapada. Trata-se do pelúcio, um bichinho danado que entra no prédio do banco e começa a coletar riquezas. Enquanto tenta pegá-lo, Newt conhece o padeiro Jacob Kowalski, que está ali para tentar empréstimo e abrir sua padaria.



Envolvido na busca de Newt de maneira desastrada, Jacob acaba trocando as maletas de ambos sem perceber quando tenta escapar e, ao abrir-la... deixa várias criaturas de Newt escapar.
Newt precisa, então, correr contra o tempo para recuperar os animais, pois a presença deles pode denunciar a existência do mundo bruxo e as leis americanas sobre o sigilo são muito rígidas. Além disso, a chegada de Newt a Nova York e toda a confusão que isso gera, coincidem com os ataques de um famoso bruxo das trevas que atuava na Europa. Logo, Newt se vê alvo da perseguição do Congresso Bruxo - a Macusa - e seus animais correm real perigo.
Não demora muito para perceber que a premissa inicial de caçar animais fantásticos por Nova York não é o verdadeiro argumento do filme, pois a presença do bruxo Grindelwald, ainda que apenas por uma atmosfera sinistra que permeia toda a aventura, torna tudo mais sério e justifica a produção de outras quatro continuações.



Newt é um bruxo comum, com dificuldade para olhar as pessoas nos olhos, mas muito próximo de seus animais. Seu envolvimento com as questões políticas de Nova York é mero acidente, bem diferente do fato "O escolhido" que perseguiu Harry Potter por quase toda sua vida. A diferença entre as duas franquias do Universo Bruxo de J. K. Rowling, também aparece no tom adulto dessa aventura.
Sua relação com os demais personagens servem como um complemento à sua própria personalidade, reclusa e nerd. Jacob é um no-maj (trouxa americano) divertido e que se encanta com o mundo bruxo, depois de uma primeira impressão assustadora. Tina, uma ex-auror buscando redenção, é uma mulher forte e inteligente, que não se importa em quebrar algumas regras para defender aquilo que acredita. E Queenie, irmã de Tina, é uma mulher doce e de ar inocente, mas passa longe do arquétipo "mulher loura burra" que alguns podem estar acostumados. Ela é uma oclumente e representa bem a distância que os bruxos americanos preferem manter dos no-majs. São dois mundos bem separados.
Outra prova de que esse filme veio para falar de temas mais sérios e expandir os conhecimentos dos fãs de Harry Potter é a presença de Percival Graves (Collin Farrell) e Credence (Ezra Miller), e a busca deles por uma criança com poderes extraordinários.



Não vou entrar em mais detalhes, pois posso escorregar em um spoiler a qualquer momento. O caso é que o filme é muito bom, interessante, os animais são fantásticos, os personagens são apaixonantes e J. K. Rowling acertou de novo! Vale a pena ir ao cinema, vale a pena o 3D, vale a pena continuar apaixonada pelo mundo mágico!

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