Livro | Resenha | A revolução dos bichos - George Orwell

Como eu não me considero a melhor pessoa para resenhar esse livro, reservei-me a um simples comentário geral sobre o livro, do qual gostei bastante, mas que não chegou nem perto de 1984.



A primeira coisa que você precisa saber é que “A revolução dos bichos” é uma paródia sobre a Revolução Russa. Você precisa entender sobre o assunto para ler o livro? Não, embora alguns personagens do livro sejam referências a personagens históricos importante da época.

Apesar de ter uma escrita simples, sem firulas, o tema e o contexto externo do livro são um pouco complicados de comentar. Não quero entrar nos méritos desse ou daquele sistema político-social, então vou tentar apenas fazer um resumo do que você vai encontrar no livro:

A história se passa na Granja do Solar, propriedade do Sr. Jones. Certa noite, Major, um velho porco que era respeitado por todos os bichos da granja, chama seus colegas animais para uma reunião no celeiro. Lá, ele conta sobre um sonho que teve, onde os animais não seriam mais controlados por homens, mas por si mesmos, onde todos seriam tratados de maneira justa e igualitária. Ele ensina para os outros animais a canção “bichos da Inglaterra”, que traz um resumo de uma filosofia que os animais passariam a seguir: o Animalismo.

Após a morte de Major, os animais se organizam para tirar a granja do poder do Sr. Jones e, conseguindo seu intento, estabelecem os seguintes fundamentos:

1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro patas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

As coisas começam a mudar na granja, entre elas o seu nome que passa a ser “Granja dos bichos”. Os animais definem turnos de trabalho, quantidades iguais de ração, entre outras melhorias que não seriam possíveis sob o domínio do homem. É definido, então, que os porcos, sendo os animais mais inteligentes, ficariam responsáveis por organizar a granja. Bola-de-neve assume, então, a liderança e tenta fazer com que a vida de todos os animais seja justa.

Enquanto isso, o antigo dono da granja se alia a outros fazendeiros da região e eles decidem retomar o controle da Granja dos Bichos. Há uma batalha da qual os humanos saem perdedores, o que enche os animais de motivação.

No entanto, algum tempo depois dessa batalha, as coisas começam a ficar mais complicadas. Napoleão, outro porco que costuma fazer oposição a todas as ideias de Bola-de-neve, assume o poder após convencer os demais animais da traição do outro.

Napoleão passa a gerir a granja com “mão-de-ferro”, aproveitando-se da ignorância dos demais animais para fazer o que bem entende e construir para si uma aura de herói máximo da pequena sociedade em que eles estão inseridos.

As leis que geriam os animais após a revolução vão aos poucos sendo modificados, até chegar em apenas 4, dos quais eu destaco esse: “Todo animal é igual, mas alguns são mais iguais que outros.”

O livro tem alguns conceitos parecidos com os que o leitor vai encontrar em “1984”: o grande líder, os opositores, as modificações constantes nas leis, o crescimento econômico alardeado mas não sentido pela população, a escolha de palavras para dizer uma coisa dizendo outra ao mesmo tempo.

Essas coisas tornam a história mais complexa e o ritmo de leitura pode não agradar todo mundo. Não é um livro legal, divertido tampouco. Mas é interessante, embora seja mais relevante para quem gosta de política e questões sociais. Talvez eu devesse saber mais sobre a Revolução Russa para aproveita-lo ainda mais, mas sinceramente, não é um livro que vou levar para a vida toda, então não estou ligando muito para isso.

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