Livro | Resenha | Amaldiçoado (O pacto) - Joe Hill


Capa e Título original em português
Título original: Horns
Título brasileiro: Amaldiçoado (anteriormente O Pacto)
Autor: Joe Hill
Gênero: Suspense
Editora brasileira: Arqueiro

Páginas: 319

“Satã é um de nós. Muito mais do que Adão e Eva.” – Michael Chabon, (Sobre demônios e pó).


Ignatius Perrish levava uma vida simples e honesta. Sua família tinha uma boa condição financeira, já que seu pai era um músico importante, e seu irmão apresentador de um programa famoso. Ig também tinha um melhor amigo desde a adolescência, e uma namorada que conheceu na mesma época, Merrin Willians, com quem pretendia formar uma família algum dia.

Tudo estava perfeito até que Merrin é violentada e assassinada em uma floresta local e Ig se torna o principal suspeito do crime. Apesar de não haver provas de que ele tenha cometido o crime, não há nada que o inocente. O crime choca a cidade e não há ninguém que não acredite que Ig seja um monstro. Todos passam a evita-lo, inclusive seu melhor amigo, Lee Tourneau.

Ig acredita que as únicas pessoas que estão ao seu lado são sua família, que sempre foi seu porto seguro e sabem que ele jamais poderia fazer algo tão terrível com ninguém, muito menos com a mulher que ele amava...

Nova capa e novo título


“Quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim”.

Às vésperas do aniversário de um ano da morte de Merrin, Ig acorda de ressaca após uma noite de bebedeira. Quando coloca as mãos em sua têmpora, sente algo diferente. Ao olhar-se no espelho, fica horrorizado ao perceber que dois chifres, um em cada lado de sua cabeça, cresceram inexplicavelmente durante a noite.

Assustado, ele decide ir ao hospital. Todo o seu caminho desde sair de casa até chegar ao hospital é permeado por uma coisa ainda mais estranha do que ter chifres crescendo em sua cabeça. Por todo lugar onde vai, as pessoas que o encontram começam a falar com ele como se Ig fosse uma padre recebendo uma confissão. As pessoas lhe contam seus segredos mais bem guardados, como a psicopatia de uma garotinha de oito anos, a infidelidade da mãe dela com o instrutor de golfe, a pedofilia e os vícios do médico, o pecado carnal do padre, a homossexualidade dos policiais. Todo mundo parece estar sendo influenciados pelos chifres, a princípio Ig interpreta como uma maldição.

Na primeira parte do livro, portanto, vamos acompanhar Ig e sua tentativa de a) não pirar com a existência de chifres em sua cabeça, b) não pirar com a revelação do que sua família realmente pensa sobre ele e Merrin e c) descobrir como usar suas novas habilidades para descobrir quem estuprou e matou sua namorada.

A religião, Deus e o Diabo são relevantes durante toda a história, há diversas trocas de valores entre o que é considerado bom e mau. As pessoas que estão diretamente ligadas à religião, no livro, são as maiores pecadoras e Ig, que sempre tentou ser uma pessoa boa, fazendo trabalhos voluntários e ajudando todos que precisavam, acaba tendo sua vida transformada em um inferno. Além disso, é o protagonista, com seus chifres e sua imagem e semelhança com o Diabo, que sempre procurou fazer as coisas certas.



Esse é um livro difícil de ler. Não por causa da escrita, que é simples e direta. Joe Hill parece ter herdado a habilidade do pai de escrever as coisas mais absurdas sem firulas. As coisas são do jeito que são e ponto. Chifres cresceram na cabeça do rapaz, ponto.

Claro, há um ensaio de explicação para o fato desses chifres terem crescido, mas não vou dissertar a respeito disso. Você precisa ler para entender.

A dificuldade desse livro está na sua capacidade de enxergar os próprios defeitos e a imperfeição do mundo. Especialmente se você não tem uma mente aberta em relação à religião, às hipocrisias humanas, e até ao sobrenatural, à fantasia e ao inexplicável. Mas não é só isso. Ignorando os chifres e as questões religiosas, o que resta da história já é bastante perturbador.

A história fala da hipocrisia, do egoísmo, do julgamento que fazemos das outras pessoas, da linha tênue entre o bem e o mal. Fala sobre sermos imperfeitos, cada um de nós, e do quanto a humanidade está enganada sobre o que é importante na vida.

Um livro angustiante, perturbador, memorável e bom.

Além do livro



O autor, Joe Hill, é filho do Stephen King e escolheu esse nome para não ser sempre relacionado ao pai, o que é bastante inteligente... pena que agora todo mundo sabe, mas não importa. Ele tem outros títulos publicados no Brasil, como “A estrada da noite” e “Nosferatu”.

“O Pacto” foi levado aos cinemas em 2013 e Ignatius Perrish foi interpretado por Daniel Radcliffe, sim, o Harry Potter. Essa é uma característica difícil de esquecer, especialmente em uma determinada cena do filme em que o protagonista interage com cobras e... bem, Harry Potter era ofidioglota e... eu juro que tentei resistir à associação, mas o que eu poderia fazer? Sério!



O título do filme, no Brasil, é Amaldiçoado [pois já existe outros dois filmes chamados “O Pacto”], por isso, o livro também mudou de nome. E de capa, que agora estampa metade do rosto de Daniel.


Esse é um daqueles livros que pode te dar uma ressaca literária. Aquele período tenebroso no qual você não consegue pegar em nenhum outro livro. Mas, se conseguir, resista. Sugiro ler uma comédia depois que terminar esse livro. Um romance água com açúcar. Uma história épica, que seja. Qualquer coisa que possa te fazer feliz de novo. Vai por mim. Mal não vai fazer.

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