Livro | Resenha | As brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley

Ficha -
Título: As brumas de Avalon - série
- A Senhora da Magia - 248 páginas
- A Grande-Rainha - 229 páginas
- O Gamo-Rei - 211 páginas
- O Prisioneiro da Árvore - 239 páginas
Autor: Marion Zimmer Bradley
Ano de publicação: 1982
Editora: Imago Editora










As brumas de Avalon é uma quadrilogia que faz parte do Ciclo de Avalon, um conjunto de livros que contam a história da Bretanha, sob o ponto de vista de personagens femininas. Essa também é a proposta de Marion Zimmer Bradley aqui: contar a lenda de Artur sob o ponto de vistas das muitas mulheres que, de uma forma ou de outra, influenciaram o destino da Bretanha, tendo como pano de fundo o crescimento do Cristianismo e sua dominação dos territórios e religiões pagãs. A maior parte das personagens femininas que aparecem no livro são seguidoras da Antiga Religião, que segue a Grande Deusa.

Os livros seguirão a trajetória de Artur desde os eventos que tornaram possível seu nascimento, sua ascensão e queda como Grande-Rei e sua morte. E isso não é spoiler, porque está na lenda.

Eu vou falar rapidamente sobre os dois primeiros livros, que são os que preparam o caminho e apresentam os elementos mais interessantes. Os dois últimos livros eu vou deixar um pouco de lado, por razão de conterem muitas informações que estragariam a experiência de leitura.



Livro um - A Senhora da Magia

"Em vida, chamaram-me de muitas coisas: irmã, amante, sacerdotisa, maga, rainha. (...) E agora que o mundo está mudado (...) é preciso contar as coisas antes que os sacerdotes do Cristo Branco espalhem por toda parte os seus santos e suas lendas. (...) Talvez a verdade se situe em algum ponto entre o caminho para Glastonbury, a ilha dos padres, e o caminho para Avalon, perdido para sempre nas brumas do Mar do Verão.
Mas esta é a minha verdade; eu, que sou Morgana, conto-vos estas coisas, Morgana que em tempos mais recentes foi chamada Morgana, a Fada."

No primeiro livro, conhecemos Viviane, a Grande Sacerdotisa de Avalon. Ela é uma mulher pequena e poderosa, que deseja salvar a Bretanha dos saxões e, ao mesmo tempo, garantir que essa terra seja governada por um rei fiel tanto à Antiga Religião, quanto ao Deus Cristão. Para isso, ela visita sua irmã, Igraine, e lhe diz que esta deve dar à luz um menino, que será educado entre os druídas e se tornará Grande-Rei da Bretanha. Igraine, que não acredita que seu marido, Gorlóis, seja eleito herdeiro do atual rei, é avisada que conhecerá outro homem, este sim herdeiro do rei, e que deverá ter um filho com ele.

A ideia da traição desagrada Igraine, mas as circunstâncias a forçam a tomar uma posição. Quando seu marido é morto em batalha e Igraine se casa com Uther Pendragon, eles geram Gwydion, que mais tarde seria chamado Artur pelos cristãos.

Quando seus filhos, Artur, filho de Uther, e Morgana, filha de Gorlois, chegam à idade considerada ideal para iniciar os aprendizados da Antiga Religião, Igraine precisa entregá-los para seus destinos. Artur é levado por Taliesin, o Merlin da Bretanha, para ser criado entre os druídas. Morgana é levada por Viviane, para Avalon, para se tornar a próxima sacerdotisa.

Os dois irmãos são, então, criados separados, sem qualquer contato durante os anos de crescimento. No entanto, no dia da coração de Artur, no qual ele deve prometer ser leal à Avalon e impedir que as religiões pagãs sejam condenadas e esquecidas pelos padres cristãos, os destinos dos irmãos voltam a se cruzar.

Livro dois – A Grande-Rainha

" (...) Um rei deve proteger seu povo dos invasores, dos estrangeiros e chefiá-los na sua defesa. O rei tem de ser o primeiro a colocar-se entre a pátria e todo o perigo, assim como o camponês se levanta para defender suas campos contra qualquer ladrão. Mas não é seu dever proibir ao povo aquilo que, no mais fundo do coração, esse povo deseja."

Começando apenas alguns meses após o término do primeiro livro, aqui vamos acompanhar a trajetória de Morgana, após ela ter abandonado a ilha de Avalon, rebelando-se contra a vontade da Deusa, e de Viviane.

Também vamos conhecer outra personagem que terá grande importância na vida de Artur, sua esposa Guinevere – ou Gwenhwyfar, como será chamada a maior parte das vezes. Gwenhwyfar é uma dama cristã e muito religiosa, que é dada em casamento como parte de um acordo que garantiria a seu marido, o rei, os cavalos de seu pai. No entanto, pouco antes de ser levada ao altar, seu coração é capturado pelo jovem capitão da guarda de Artur, o belo e forte Lancelote.

Gwenhwyfar se torna cada vez mais fervorosa em sua fé, acreditando estar sendo punida com infertilidade, por causa de seu amor por Lancelote. Ela convence Artur a abandonar os símbolos pagãos e levar a cruz do Cristo em batalha. Artur, que não é um homem dado a discussões, faz o que a esposa lhe pede e sua atitude é tida como traição do seu juramento à Avalon.

O que achei

Para começar, não sei se os livros vão agradar ao público em geral. Como o livro foi escrito há vários anos e não chega nem perto da popularidade de livros como O senhor dos aneis, e mesmo da trilogia de Bernard Cornwell, As crônicas de Arthur, que usam a mesma lenda como pano de fundo, creio estar certa ao afirmar que As brumas de Avalon acabam sendo deixadas de lado, e isso é injusto.

Vale lembrar que essa é uma série escrita por uma mulher, com personagens femininas fortes que têm real poder sobre os destinos dos personagens masculinos. Além disso, trata-se de uma história que não lida com o Cristianismo com a devoção a que estamos acostumados (quem já leu As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, vai ter uma ideia do que estou falando).

Eu, que não sou mais cristã, que sou feminista, e tenho interesse pelas religiões pagãs (pelo conhecimento histórico atrelado a elas), gostei muito de As Brumas de Avalon. Mas você não precisa de tudo isso para gostar. Basta ter a mente aberta e gostar de histórias e personagens bem desenvolvidos. E de uma boa dose de fantasia medieval.

Essa é uma história poderosa, com personagens fantásticos – e incluo os personagens masculinos. Todos são bem descritos e têm suas motivações bem construídas. E mesmo a personagem mais odiada – Gwenhwyfar – pode ser tratada com justiça quanto ao desenvolvimento narrativo e no final eu cheguei a gostar dela.

O que eu não gostei é que em vários momentos a história se arrasta sem que nada de muito interessante esteja acontecendo. Algumas descrições de feitiços e Visões que algumas personagens têm, são um pouco confusas, mas nada que chegue a atrapalhar a narrativa. No entanto, é preciso levar em consideração que a história narrada nesses quatro livros se passa no decorrer de vários anos. Como eu disse, Marion narra desde antes do nascimento de Artur até sua morte.

Adorei ler sobre como a figura da mulher era importante nas religiões antigas, a dádiva da fertilidade, e o equilíbrio com a natureza. Por isso mesmo, eu não conseguia desgrudar os olhos da página sempre que a narração se concentrava em Morgana. Eu amei essa personagem. Ela é forte e frágil, inteligente e ingênua, poderosa e mortal. Como faz falta personagens assim! Sério, quando foi a última vez em que você leu uma personagem feminina que não te desse vontade de bater a cabeça na parede? E não precisa ser feminista para isso, amiga.

Sobre a minha edição de "O Prisioneiro da Árvore", livro quatro.

Eu não comprei esses livros, mas os ganhei de presente de uma colega de trabalho, em 2014. Um presente que me deixou muito feliz, mesmo que esses fossem livros usados. Eu li o primeiro livro em 2015, o segundo em fevereiro de 2016, e o terceiro agora em setembro. E então, animada com a história, comecei o quarto logo em seguida. Tudo ia muito bem, eu já declarando amor eterno à saga de Morgana, quando chego nas páginas 162 e 163 e encontro isso:



E ficou pior, porque o mesmo problema se repetiu nas páginas 166-167, 170-171 e 174-175.

...

Eu fiquei puta! Porque eu já tinha perdoado erros de digitação, falhas na impressão que comiam pedaços de palavras e frases... mas oito páginas inteiras borradas? Aí já é demais! Mandei e-mail para a Imago Editora no dia 15/09 e, até agora, 24/09, não tive resposta.

Eu sou perfeccionista e muito chata com meus livros. E pensar em guardar esses livros desse jeito me chateia. Claro que eu posso passar adiante, mas não seria justo com quem receber. O que me deixa aprisionada a um livro que não dá para ler. Claro que eu dei um jeito, mas é aquela coisa... depois que a gente baixa PDF, a gente que é ruim!

Enfim, só queria deixar aqui minha revolta e um alerta para vocês: exijam excelência das editoras, porque a gente paga caro nos livros delas!

De qualquer forma...



Eu realmente espero que vocês dêem uma chance aos livros, mesmo quando a leitura parecer arrastada, por que é uma daquelas histórias que vão acrescentar alguma coisa na sua vida.

Essa história tem tudo, intriga política, magia, amor, traição, incesto, discussões teológicas, liberdade feminina, construção de personagens e estilo narrativo! É muito bom!

E boa sorte na edição de vocês! A minha é de 2008 e sei que tem outras mais novas por aí.

Os quatro livros foram transformados em filme em 2001, que foi o meu primeiro contato com a obra. O filme tem quase 3 horas de duração, e resume a história de Artur e Morgana da melhor forma possível. Ele foi lançado direto em vídeo e DVD, então não faço ideia de onde vocês podem conseguir, mas sei que vocês podem dar um jeito nisso ;)

*

E você, já leu As brumas de Avalon? Gostou? Deixe seu comentário e vamos conversar a respeito :)

Tenham uma boa semana e até mais!

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