Livro | Resenha | Eu sou Malala - Malala Yousafzai com Christina Lamb

Olá você!

Bom... essa não é exatamente uma resenha, é mais um comentário. Me peguei pensando: "Como vou fazer uma resenha de uma biografia?". Pareceu sem sentido para mim "julgar" a vida de uma pessoa ou seus méritos... e de qualquer forma, achei que, nesse caso, vale e merece uma recomendação.




Para quem não sabe, Malala é uma adolescente paquistanesa que sofreu um atentado terrorista em sua terra natal, o Vale do Swat. O atentado foi de autoria do talibã, um grupo extremista que tinha controlado o Swat por alguns anos e que, entre outras coisas, pregava que as meninas do islã não deveriam frequentar a escola depois do primeiro grau.

Malala, filha de um ativista conhecido da região e dono de uma escola que ensinava tanto meninos quanto meninas, sempre foi incentivada por ele a defender as coisas nas quais acreditava. Ela se tornou, aos catorze anos, uma voz ativa na defesa dos direitos das meninas paquistanesas de frequentar escolas.

Segunda ela conta logo no prólogo do livro, o talibã parou o veículo escolar em que ela estava com as colegas de escola e perguntou: “Quem é Malala?”. Nenhuma das meninas respondeu, mas algumas olharam para ela. Foi o suficiente. O homem que havia subido no veículo disparou três vezes. Uma acertou sua amiga, outro acertou sua colega e outro acertou sua cabeça.

Em 2014, aos 17 anos, Malala recebeu o Nobel da Paz, dividido com o indiano Kailash Satyarthi. Ambos foram laureados pelo prêmio após suas defesas pelo direito à educação das crianças.

Se isso ainda não te convenceu de que o livro merece ser lido, há outra coisa que me interessou nele. Na nossa sociedade ocidental é muito difícil encontrar informações coerentes e razoáveis sobre o islamismo e a relação dos mulçumanos com o terrorismo fundamentalista. Eu peguei esse livro emprestado de um colega de trabalho, após os atentados terroristas que ocorreram na França, no final do ano passado, a fim de tentar entender a religião e seus seguidores. É essa experiência que eu recomendo para todo mundo.

Para resumir mal e porcamente o livro:

Malala conta como interesses políticos e religiosos se misturaram para criar o cenário que transformou o Paquistão em um sinônimo de terrorismo. Segundo ela, houveram vários ditadores no país e os políticos praticamente não se interessavam pelos problemas do povo. Se aproveitando do descaso do governo e da ignorância da população (que sempre foi carente em escolas, mesmo para os meninos) grupos fundamentalistas foram aos poucos ganhando “corações e mentes” na região em que Malala vivia. O “bonito Vale do Swat”, como ela se refere, se transformou em um território dominado pelo talibã. O grupo chegava a matar opositores de suas ideias na praça da cidade e deixar corpos expostos. A população passou a viver com medo.

Quando o governo finalmente resolveu intervir, muitas famílias, inclusive a família de Malala, precisou sair do Swat e viver como refugiados. Mesmo que o exército paquistanês tenha vencido a disputa, o controle do talibã nunca abandonou realmente o Vale, prova disso foi o atentado sofrido por Malala.

Há muitos detalhes e muitas informações importantes no livro que valem a pena serem lidas. Ainda mais numa época em que temos encontrado tanta dificuldade em ouvir os outros, em entender que existem opiniões diferentes e que não é porque você escolheu um lado, que o seu lado é certo e o outro é errado.

Falo, claro, não apenas de quem afirma que todo mulçumano é terrorista e que o islamismo é uma religião violenta, mas de todo mundo que tira conclusões definitivas sobre culturas e ideais que não conhecem, somente por serem opostos aos seus. Isso te lembra alguma coisa? Pois é.

Ligue a legenda:

Enfim... terminei esse livro mais consciente dos meus preconceitos e hipocrisias. Um tapa na cara que todo mundo deveria levar de vez em quando.

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