Livro | Resenha | O Silmarillion - J. R. R. Tolkien

Lembro até hoje de como fiquei empolgada quando encontrei uma edição deste livro na biblioteca da faculdade. Também me lembro de sempre ter visto o coitado ali, intocado, a não ser pela ação dos anos na estante.

Para quem não conhece, O Silmarillion começou a ser escrito por J. R. R. Tolkien em 1917, mas só foi publicado em 1977, depois da morte do autor. O filho dele, Christopher Tolkien, foi o responsável pela compilação da versão original com outros materiais escritos pelo pai por vários anos.

Nessa obra composta por cinco partes, viajamos pelo universo de Tolkien, presenciando desde a canção que criou Eä (Mundo), até a descoberta do responsável pela forja dos Anéis de Poder. E sim, tudo isso se passa antes dos acontecimentos de O Senhor dos Anéis, e antes de O Hobbit também.

Cada detalhe dessa obra é inspirado em coisas próximas da nossa realidade, começando com o mito da criação, que podemos encontrar na civilização romana ou grega, por exemplo, até os seres folclóricos e o mito da queda de Atlântida.

E claro, não podemos esquecer os idiomas criados pelo próprio Tolkien, como os idiomas dos elfos e o dos anões. Pelo que pesquisei, ele criou, ao todo, 10 idiomas, alguns que inclusive só seriam citados mais tarde, no Senhor dos Anéis.

No entanto, se tornou comum ouvir gente que leu a obra dizendo que ela é chata, cansativa, entediante…Posso até concordar com o cansativo, mas não com o chato e o entediante, justamente porque coisas acontecendo não faltam. Por isso já aviso, se você adora livros de fantasia e gosta das obras de Tolkien, vá em frente e devore esse livro, existe a chance de colocá-lo no seu top 10! Caso contrário, você pode ler (é ótimo que leia!), mas não me venha com mimimi se não gostar, afinal O Silmarillion não é um romance que todo mundo lê enquanto está no ônibus ou no metrô, só para distrair.

Da canção às joias

Como já disse, O Silmarillion é composto por cinco partes, cada uma referente a uma passagem específica da temporalidade em que se passa o universo criado por Tolkien. Muitos consideram esse livro uma “Bíblia by Tolkien”, mas só pela parte do Antigo Testamento, porque qualquer um dos personagens desse livro está longe de ser um Jesus da Terra Média.

A primeira parte é composta pelo bundalelê Ainulindalë. É aqui que vamos descobrir como Eä (aka Mundo) foi criado. Já vi muita gente se embaralhar nesse pedaço por causa dos nomes, mas não sei exatamente por que. “Ah, é tudo muito difícil de pronunciar…” – Simples, não tente pronunciar! Guarda o jeito que você acha que se fala na tua cabeça, mesmo que esteja errado, e foca na história, assim não dá pra se perder. Mas, se o teu problema em entender não for esse, comenta embaixo do texto para podermos discutir isso e facilitar a leitura de muita gente, ou não, sorry.

Continuando. Existe um ser chamado Eru, que depois fica popular na Terra Média pelo nome de Illúvatar. Ele é o equivalente a Deus, e também foi quem criou os primeiros Ainur, ”Os Sagrados”, gerados a partir de seu pensamento (eles são a ‘ordem’ dos Valar e dos Maiar).

Um dia Eru os chamou e propôs um tema para criarem uma canção. Conforme a música era cantada, os Ainur tinham visões daquele mundo que estavam criando com sua melodia, inclusive com as perturbações provocadas pelo pensamento de Melkor, um dos Ainur. Mesmo assim, muitos deles ficaram encantados com as visões e se mudaram para Eä, a fim de torná-las realidade.

Depois disso temos o Valaquenta, que são os escritos dos elfos sobre os pontos de vista dos Valar e dos Maiar sobre Arda (a Terra). Nessa parte somos apresentados aos Valar e suas funções em Arda, e também não demoramos a perceber que o maior ‘encrenqueiro’ é Melkor, que foi o primeiro senhor do escuro. E, se você está se perguntando, Sauron já existia, e era um Maiar, servo capacho de Melkor.

Telperion e Laurelin, as Árvores de Luz de
Valinor.
E agora vem o recheio de todo esse papo, o esQuenta Silmarillion, a história das Silmarills, as primeiras jóias responsáveis por uma grande guerra.

O principal sobre essa parte é descobrir como surgiram todas as raças de Eä, e com elas a primeira grande batalha entre o bem e o mal. De um lado, Fëanor, filho do primeiro rei dos Noldor (um grupo dos elfos), considerado o maior e mais foda elfo de todos os tempos, e também um grande artífice, responsável pela criação das Silmarills - três gemas com luz própria feitas a partir das árvores de Luz de Valinor.

Do lado negro da força, Melkor, agora livre e tramando contra os Valar e os elfos. Ele rouba as Silmarills, destrói as árvores de Luz e é amaldiçoado por Fëanor, passando a ser chamado de Morgoth (Senhor do Escuro). Por causa da ira sangue no ‘zóio’ do elfo e de sua busca frenética por vingança, os Noldor são levados à maldição.

Desse ponto em diante é só guerra. E algumas das histórias que seguem podem ser vistas como contos. Dois exemplos são as histórias de Beren e Lúthien e de Túrin Turambar.

Depois começa o diabete Akallabêth, a Atlântida da Terra Média. É a história da criação e ascensão de Númenor, na Segunda Era, desde o ápice da civilização humana até sua queda, causada pela húbris dos próprios numenorianos com um pouco da ajuda do bom e velho Sauron.

E, na última parte, descobrimos como foram feitos os Anéis de Poder, inclusive o Um Anel, agora com Sauron como o Senhor do Escuro.

Curiosidade

Capa de Nightfall in Middle-Earth
Muitos devem saber, mas mesmo assim vale lembrar. O Silmarillion serviu de inspiração para o álbum Nightfall in Middle-Earth, da banda alemã Blind Guardian, lançado em 1998. O disco tem 22 faixas, cada uma retratando um trecho do livro com direito a spoilers.

Comentários

  1. Nossa, fiquei com muita vontade de ler esse livro!

    Quando eu tinha onze anos, comecei a ler "O Senhor dos Anéis", mas não gostei justamente por achar lento. Por outro lado, ouvi dizer que é comum fãs gostarem de Silmarillion e de O Hobbit e não curtirem muito SdA. Mas também me disseram que quem lê os primeiros livros pode entender muito bem SdA numa boa.

    Silmarillion, pela sua descrição, parece uma canção, e acabou de entrar na minha lista! Parece impossível amar esse tipo de fantasia sem ler esse clássico!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Senhor dos Anéis é bem lento no começo, depois acaba melhorando, mas o autor pelo jeito adora canções e elas sempre estão presentes.

      Silmarillion é basicamente a explicação de como tudo começou, todo o universo do Tolkien, e ele começa justamente com uma canção. Talvez você goste mesmo, afinal o ritmo é bem mais rápido do que SdA. Depois que ler me conte o que achou! =]

      Excluir
  2. Caramba, eu que nunca fui um leitor desses que leem pilhas de livros por mes, nem por ano, eu li a metade do Hobbit em dois meses, e depis de 3 anos eu li o resto só pra não boiar no filme, sou mais cinéfilo mesmo. Mas enfim, O Silmarillion foi a obra que eu li e que eu senti uma coisa tão profunda, que parecia, amor, paixão, algo nesse sentido eu não sei descrever o sentimento muito menos explicar, preciso ler novamente, a forma como Tolkien descreve o amor de alguns elfos pelo mar por exemplo, é uma coisa indescritível mesmo. Eu descobri o Nightfall in Midle Earth bem depois de ter lido e na época eu acompanhava o livro com outro albúm do Blind Guardian que era o Somewhere Far Beyond.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Série | Resenha | Between - Primeira temporada

128 | Filmes assistidos | 6 - 10

125 | Doramas coreanos - Kdramas | 1 - 5