Livro | Resenha | Diário de uma paixão - Nicholas Sparks






Eu não gosto de romances. Bem, pelo menos não de histórias que tratam somente disso, e giram em torno disso, e só ficam nisso. Mas esse livro… esse maldito livro… eu não sei o que aconteceu comigo, mas aconteceu e provavelmente vai acontecer também com o próximo desavisado que colocar as mãos nele.

Eu decidi lê-lo assim que terminei “A fúria dos reis” do George R. R. Martim, e precisava de um livro para arejar a mente, uma leitura rápida, fácil, leve e cheia de açúcar. Além disso, eu já conhecia a história. Já tinha assistido o filme “Diário de uma paixão” com Rachel McAdams (Como Allie Hamilton) e Ryan Gosling (como Noah Calhoun) algumas vezes, e por isso achava estar preparada para o que viria: um romance de uma vida inteira, que enfrentou anos de separação e precisou passar por uma última prova no fim da vida. É meloso, é romântico, e amor entre velhinhos é muito fofo. É preciso ter um coração de ferro para não se emocionar.

Eu me emocionei no filme, sabia que aconteceria de novo no livro, mas não estava tão preparada como pensei. E nem posso dizer que não fui avisada. Eu sabia o que estava por vir.

Nicholas Sparks é um dos autores campeões de adaptações dos seus livros para o cinema. Você deve conhecer mais de um desses títulos: Diário de uma paixão (2004), Um amor para recordar (2002), Noites de tormenta (2008), Querido John (2010), Um homem de sorte (2012), A última música (2010), entre outros.

Algumas pessoas veem essa quantidade de livros sendo levados para o cinema e logo concluem que o autor deve ser muito bom. Outras pessoas sabem que romances “água-com-açúcar” fazem sucesso sempre, não importa a época ou a qualidade da escrita. Temos alguns exemplos bem recentes disso, basta ter romance e pronto, é sucesso, mesmo que sem um pingo de originalidade ou qualidade.

Mas o que esse número de livros adaptados para o cinema, e quase todos também sucesso nessa nova mídia, realmente significa? Nicholas Sparks é um escritor tão bom quanto parece? Bem, pensando na primeira e na segunda parte do livro em questão, minha resposta é “não” e “sim”.

O livro não é “oficialmente” dividido em duas partes, mas dá para perceber que há dois momentos distintos no livro. Logo no começo, temos uma narração em primeira pessoa, um simpático senhor com seus bem vividos oitenta anos de idade. Ele vive em um asilo, onde passa o tempo olhando a paisagem, lendo poesia para si e para os amigos, e sonhando com um milagre.

Todos os dias, ele pega seu diário e vai até o quarto de uma das pacientes do asilo, senta-se ao lado dela e começa a ler o conteúdo do diário. É um romance sobre dois jovens que se conheceram há muito tempo, ainda adolescentes, e que tiveram que se separar, seguir a vida, destinados a nunca esquecer aquele verão que passaram juntos, quando tinham dezesseis anos.

Nesse momento, temos um corte na narrativa em primeira pessoa, e passamos à narração em terceira pessoa. Descobrimos que os jovens se reencontraram anos depois e durante toda a primeira metade do livro, acompanhamos dois dias da vida deles.

Até aqui, o livro é um amontoado até bem organizado de situações fáceis e bonitinhas, até bobinhas algumas vezes, mas envolventes até certo ponto. Dá um apertozinho no coração quando o flashback acaba, mas é só um prelúdio do sofrimento que vem a seguir.

A escrita de Nicholas Sparks é simples e tem um quê de poesia, flui fácil, mas não é nada especial, embora ele compense em emoção. E, é aqui que você percebe que não estava preparada para a segunda parte do livro.

De verdade, nada te prepara realmente para o que vai encontrar quando o livro volta à narração em primeira pessoa, e aquelas emoções do personagem-narrador te pegam, te envolvem, te arrebatam e te deixam choramingando baixinho.

Inverno para dois, esse é o nome do capítulo que transforma um livro simples, fácil, leve e cheio de açúcar, em um livro feito para te fazer chorar.

Claro, pode ser que não agrade a todos. Provavelmente não vai agradar. Não sei dos outros livros de Nicholas Sparks. Se for julgar pelos livros, não só a temática do amor se repete, mas como os dramas apelões, e sinceramente, não sei quantas histórias parecidas eu aguento ler. Lembro que minhas amigas me diziam para assistir/ler “Um amor para recordar”, do mesmo autor, e quando finalmente assisti, não achei lá grande coisa.

Eu sinceramente não sei, não foi o melhor livro que li, mas ao mesmo tempo, vai entrar na galeria de favoritos. Pois foi um dos que mais me emocionou, e espero que faça o mesmo com quem decidir se arriscar também. Espero que mais pessoas decidam se arriscar.

Livros são feitos para emocionar, te fazer sentir alguma coisa, uma catarse, e esse é um daqueles livros, aqueles que parecem simples, mas que não são, e que te agarram sem você perceber. E que mal há nisso?

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