Livro | Resenha | Trilogia Jogos Vorazes - Suzanne Collins

Esse texto pode conter spoilers acidentais.


Primeiro volume
Sinopse:

Era uma vez um país chamado Panem, localizado no território antes conhecido pelo nome de América do Norte, ou o que sobrou dela após a invasão da água sobre os continentes e outras inúmeras catástrofes naturais, como terremotos, vulcões e outras inconveniências provocadas pela ação do homem no Planeta Terra.

Panem é formado por 13 distritos mais a Capital, o centro do governo. Cada distrito é especializado em uma atividade de sub-existência, mas todo lucro e regalias fica restrito para a população da Capital, deixando o resto do país em miséria.

Após um levante rebelde iniciar no Distrito 13 (durante os Dias Escuros), a Capital exterminou aquela região e todos que viviam ali. Para lembrar a todos o seu poder de destruição e o destino certo àqueles que se oporem ao governo da Capital, é criado o Tratado da Traição, que institui, entre outras coisas, os Jogos Vorazes...


"O Tratado de Traição nos deu novas leis para garantir a paz e como uma lembrança anual de que os Dias Escuros jamais deveriam se repetir, também nos deu os Jogos Vorazes (...). Como punição pelo levante, cada um dos doze distritos deve fornecer uma garota e um garoto - chamados tributos  para participarem. (...). Por várias semanas os competidores deverão lutar até a morte." - Pág. 24-25, Jogos Vorazes.

O vencedor dessa competição mortal pode voltar para casa, conquistando uma vida tranquila para ele e sua família. E, por um ano, o Distrito do tributo vencedor, terá cotas extras de comida.

*****

Fiquei sabendo desse livro quando sua adaptação para os cinemas começou a ser anunciada como a sucessora dos sucessos inquestionáveis Harry Potter e Crepúsculo. De fato, não pretendo questionar que Crepúsculo seja um sucesso, embora tenha uma ou duas coisas a questionar sobre os motivos que o fizeram sê-lo. Porém, longe de querer levantar uma polêmica entre os fãs dessas três franquias, comparando-as e sendo injusta com as três, pretendo deixar claro que essa afirmação não poderia estar mais errada.

Harry Potter fala sobre amizade, destino e esperança. Sobre a eterna luta do bem contra o mal e que somos aquilo que nos permitimos ser, não aquilo que esperam que sejamos, aquilo que nos obrigam, aquilo que nos limitam a ser.

Crepúsculo fala de amor e, na melhor das hipóteses, sobre as transformações e exageros da adolescência.

E Jogos Vorazes fala sobre a autoconfiança, a lealdade, a necessidade de questionar e pensar por si só. Fala sobre totalitarismos, aparências e futilidades, desigualdades, guerras, e o poder centralizador e manipulador da mídia.

Tendo colocado as diferenças básicas entre essas três obras, espero poder, a partir de agora, nunca mais ler uma besteira qualquer comparando-as e colocando-as sob os mesmos holofotes. E isso está além das minhas preferências. Comparações são ridículas e dispensáveis, portanto, façam-me o favor e mudem o discurso.

Eu li a trilogia de Jogos Vorazes em exatos 11 dias. Claro que o fato dos três livros juntos não darem um livro de As Crônicas de Gelo e Fogo, provavelmente me ajudou nessa leitura em tempo recorde. Quando terminei o primeiro livro, assisti o filme, curiosa, e acabei saindo meio decepcionada, meio feliz. O que importava estava lá. O que não importava... eram as partes que eu mais gostava do livro. Mas tudo bem, isso não chega a estragar a história.

Em seguida, devorei os outros dois livros, e chorei feito uma adolescente em crise no terceiro.
Não que Suzanne tenha dado uma de JK Rowling e matado metade dos personagens que levamos 11 anos amando e idolatrando. Sim, Suzanne mata alguns, mas ninguém que, em 11 dias, tenha ganhado meu coração para sempre.

Mas o que me matou nesse livro foi o modo como ela me fez ficar completamente desesperada para socorrer, abraçar e dizer "está tudo bem" para o meu personagem preferido: Peeta Mellark. Como esse garoto ganhou meu coração tão rápido, logo em sua primeira aparição é algo que vou explicar mais tarde nesse post. Antes, vou seguir a ordem natural das coisas e começar pela protagonista: Katniss Everdeen.

Segundo volume

Katniss ficou órfão de pai aos 11 anos, quando ele e mais alguns mineiros sofreram um acidente nas minas do Distrito 12, onde moram. Sua mãe entrou em depressão, tão profunda, que era como se Katniss e sua irmã Primrose, estivessem sozinhas nesse mundo cruel, pobre e irracional. Desde então, Katniss tem se dedicado a alimentar a mãe e a irmã, e o velho, feio, rabugento e meio acabado gato Buttercup.

Portanto, Katniss é uma jovem de 16 anos que foi forçada a crescer antes do tempo, assumir responsabilidades e aprender a se virar para conseguir colocar comida na mesa. Seu pai fazia arcos e flechas, e a ensinava a caçar (embora a caça seja proibida, mas convenientemente ignorada pelos Pacificadores – a polícia de Panem). Com esses conhecimentos, Katniss leva para casa parte da caça que consegue com seu amigo Gale na floresta, e o restante troca no mercado negro do Distrito 12, conhecido como Prego.

Os distritos são responsáveis cada um por uma atividade de subexistência, sustentando os exageros e extravagâncias dos habitantes da Capital, enquanto são abandonados à própria sorte, morrendo de fome e sem acesso a hospitais. Katniss questiona essa realidade, mas prefere guardar suas preocupações e opiniões para si, aprendendo a mascarar seus sentimentos e expressões.

O Festival da Colheita sorteia dois nomes de crianças de 12 a 18 anos, um menino e uma menina, para serem tributos nos Jogos Vorazes. Obviamente, Katniss não tem planos de ser sorteada, pois tem uma família para sustentar. Mas quando, desafiando as possibilidades, sua irmã Prim é sorteada, Katniss sente que é sua obrigação tomar seu lugar.

Ao se oferecer para tomar o lugar da irmã, Katniss começa a chamar a atenção da população de Panem, para sua personalidade forte e determinada, deixando claro que não estará nos Jogos para se transformar em um alvo facil. Katniss, em alguns momentos, chega a ser arrogante e precipitada, julgando atitudes sem ponderar todas as consequências... Peeta que o diga. Durante mais da metade do livro, Katniss o julga, o condena, e não para para ouvir o que o gentil e determinado garoto tem a dizer.

Peeta Mellark é o outro tributo sorteado durante o Festival da Colheita, para ser mandado aos Jogos Vorazes. E Katniss não fica nada feliz com isso. Não que os dois sejam amigos, mas há uma história significativa entre eles, a qual não facilitaria em nada o momento em que, na arena dos Jogos, Katniss tivesse que matá-lo.

Katniss é uma ótima personagem feminina, é forte, independente, inteligente e cheia de valores, embora seja capaz de deixar alguns deles de lado para poder voltar para casa e cuidar da irmã. Porém, ela é chata. Algumas vezes a narração dela em primeira pessoa é difícil de engolir, porque Katniss reclama, julga, reafirma seus conceitos precipitados e chega uma hora que você percebe que seria muito, muito difícil conviver com ela. Não que ela tenha tido uma vida fácil, mas… é isso, ela é chata. Mas até que isso é uma boa coisa. Afinal, personagens Mary Sue, cheias de valores inquestionáveis e motivações forçadamente nobres, temos aos montes na literatura mundial.

Não acho que a narração em primeira pessoa a favoreça, às vezes é meio cansativo ficar dependente das opiniões e "achismos" da personagem, para entender o que está acontecendo na história. Além disso, principalmente no terceiro livro, você fica cada vez mais interessado em saber o que (e o porquê) está acontecendo ao redor da Katniss, mas não pode. É impossível, por exemplo, não sentir agonia imaginando a atual situação de Peeta, e não conseguir chegar até ele, enquanto é forçada a ler e reler os dramas e frescuras angústias de Katniss.

Ao chegar no terceiro livro, você até entende que os questionamentos e decisões da personagem são ainda mais importantes para que ela assuma seu papel na trama. Mas, para mim, a narração em primeira pessoa, desde o primeiro livro, não é a ideal para narrar o mundo em que a história de Suzanne Collins está inserida. Fica muito limitado à visão de Katniss, mesmo que ela possa reunir os principais personagens dentro dela: habitante de um dos distritos, participante dos Jogos Vorazes, vencedora dos Jogos, rebelde, pária…

Eu pelo menos, senti falta, no terceiro livro, de realmente ler o que o personagem Finnick tinha a dizer sobre o Presidente Snow. Observe como essa passagem é apresentada. Katniss e Finnick, ambos campeões de edições diferentes dos Jogos Vorazes, são chamados pelos rebeldes para falar à população de Panem sobre os jogos e sobre o Presidente Snow. Como Katniss foi a mais nova campeã, ela não tem muito a dizer a respeito disso, mas Finnick é mais experiente e passou por coisas significativas, relacionadas ao presidente. E, quando você fica interessado em saber quem é o comandante dessa nação, o que ele fez para chegar a esse cargo e porque diabos a boca dele fede a sangue, tudo o que você recebe é um ou dois parágrafos, narrados por Katniss, resumindo miseravelmente a história que Finnick conta.
     
Foi nesse momento que a narração em primeira pessoa realmente me irritou. Mas, antes, já vinha me incomodando. Principalmente por causa do final do segundo livro.

Terceiro volume
Peeta Mellark é o tipo de personagem que, ou você vai amar no primeiro instante em que ele aparecer, ou vai odiar. O problema desse personagem é que ele surge como um contra ponto da protagonista. Ela é autossuficiente, sabe utilizar arco e flecha, sabe sobreviver na selva e sabe nadar (em Panem, só habitantes do Distrito 4, como Finnick, tem necessidade de aprender a nadar, pois vivem no litoral. Os habitantes dos outros distritos, só precisam aprender aquilo que os ajudará a exercer a função que a Capital determinou para cada um deles).

Peeta sabe fazer pão, enfeitar bolos, desenhar, pintar e fazer camuflagem. É forte o bastante para carregar pesados sacos de farinha, mas nunca aprendeu a caçar ou nadar, e nunca foi tão questionador quanto Katniss. Por isso, algumas pessoas estranham Peeta. Isso porque estamos todos (sim, todos) acostumados a ver o homem proteger a mulher, ser mais forte, mais determinado, mais contestador, mais confiante.
     
Em Jogos Vorazes, você precisa abandonar isso. Katniss é quem precisa ajuda-lo na maior parte do tempo, mantê-lo vivo, alimentá-lo… só lendo o livro para saber porque ela faz isso ao invés de mata-lo, já que o propósito dos Jogos é que somente um sobreviva.
     
Mas, antes que, lendo essa resenha você decida não gostar de Peeta, deixe-me advogar em defesa dele. Ele é inteligente, altruísta, corajoso e companheiro. Não tem tempo ruim para ele. Sem Peeta, Katniss enlouquece. Se antes, no Distrito 12 eles mal se falavam, quando enfrentam juntos os Jogos Vorazes, eles passam a ter uma ligação muito mais forte. E é isso o que transforma a trilogia no que ela é, pois, sem Peeta, sem o falso romance que eles desenvolvem na Arena, sem a cena que encerra a Vigésima Quarta Edição dos Jogos Vorazes, da qual eles participam, Panem teria continuado a ser o que era: um lugar de desigualdades, fome, autoritarismo, e “pão e vinho”.

Sim, eu gosto mais do Peeta que do Gale, melhor amigo de Katniss. Eu acho a existência de Gale insossa, desnecessária, tediante e cheia de mimimi. Outras pessoas pensam o mesmo em relação ao Peeta. Mas, como eu expliquei no parágrafo anterior, sem Peeta, toda a trilogia seria muito diferente, o que seria uma pena. Sem Gale, a única coisa da qual seríamos poupados, seria de um triângulo amoroso sem sal. É como o próprio Gale diz a Katniss no segundo livro: “Seria melhor se ele fosse fácil de odiar”.

No primeiro livro, Peeta me encantou como o garoto apaixonado, o garoto que sabia que não tinha chances de vencer os Jogos Vorazes, mas que até o último segundo, apenas desejou não virar "mais uma peça nos jogos deles". Ele queria morrer como ele mesmo, sem perder sua honra, sem esquecer quem ele realmente era. E protegendo Katniss da maneira que podia, até onde pudesse. Esse cuidado é mais no âmbito emocional do que físico, afinal, Katniss não é do tipo que precisa ser protegida.

É por isso que eu fiquei tão sensível quando li o que acontece com ele mais para frente na história. Chorei pela primeira vez em muito tempo por causa de um livro, desde que Dumbledore… Enfim. Foi tão injusto o que aconteceu com ele. Em alguns momentos, cheguei a pensar que a Katniss não o merece… daí, me forcei a lembrar de tudo o que ela tentou fazer por ele no segundo livro, e dou um desconto a ela.

Vi em algumas resenhas, pessoas falando que o terceiro livro é o melhor, que fecha a obra com maestria... mas confesso que em partes eu discordo. Para o personagem Peeta, é o melhor livro. Para a personagem Katniss... ela já teve momentos melhores.

Ela às vezes soa arrogante, às vezes ingênua, é usada e, pior, permite-se ser usada, fica de mimimi quando o Peeta mais precisa dela, e ainda precisa de uma chamada de Haymitch (um dos antigos vitoriosos do Distrito 12, mentor de Katniss e Peeta nos Jogos deles), para perceber que está sendo uma idiota completa.

É frustrante ver como uma personagem que se apresentou forte, autossuficiente, e tem uma importância tremenda para o rumo das coisas em Panem, simplesmente se torna uma fantoche. E é estranho que alguém que tenha se encantado e emocionado com uma menina de 12 anos que mal conhecia (Rue, companheira de Jogos, do Distrito 11), tenha agido de forma tão arrogante com alguém que cuidou dela e espantou seus pesadelos durante tantas noites…

Se eu for falar mais, vou acabar dando spoiler sobre o terceiro livro, e estou lutando com afinco para evitar que isso aconteça.

Basicamente, os sentimentos mais fortes que o terceiro livro despertou em mim foram: Tédio quando Gale aparecia, raiva quando Katniss ficava de mimimi na segunda parte, e angústia pelo Peeta durante TODO o livro!

Trilogia Jogos Vorazes

A história se passa em um futuro distópico, ou seja, um futuro muito, muito distante, que está longe de ser aquela maravilha com a qual sonhamos. Nesse mundo, há desigualdade, manipulação, exploração, injustiça, e uma futilidade sem limites. A Capital representa o estado totalitário, opressor, que utiliza a miséria dos Distritos e os Jogos Vorazes, para manter a população sob rédeas curtas.

Os habitantes da Capital são como uma grande massa de fãs da Lady Gaga (sério, quando vi o filme, foi a primeira coisa que pensei). Vestem-se de maneira estranha, exagerada, extravagante, cabelos bizarros, tatuagens, piercings, modificação do corpo, plásticas... acho que já deu pra entender. Todos esses comportamentos elevados ao nível de obsessão e tratados com naturalidade tal que chega a assustar.

Os habitantes dos Distritos são o oposto, privados de comida, hospitais, e qualquer tipo de extravagância.

Porém, é errado pensar que apenas os povos nos Distritos são controlados. Na Capital, os habitantes são como as pessoas que assistem Big Brother na Globo por três meses, sem perder nenhum detalhe. São como as pessoas que assistem Jornal Nacional e acreditam que lá está toda a verdade que se pode encontrar no mundo. A Capital é aquilo no que a população mundial já se tornou: fútil, inútil, vazia, controlada...

Panem rege os Distritos e A Capital de maneiras diferentes, mas nenhum dos dois com liberdade suficiente. Para um, há o medo, a repressão, a assustadora perspectiva de que seus filhos (de 12 a 18 anos) podem ser arrancados da proteção de suas casas, e jogados em uma arena, para matarem outros filhos, de outros pais igualmente desesperados, sem que eles possam fazer nada.

Do outro lado, há a eterna distração, o entretenimento sem limites, sem escrúpulos. Ao passo que os Jogos Vorazes são um pesadelo para quem vive nos Distritos, para as pessoas da Capital é o que as mantém ligadas à TV, assimilando o que os governantes de Panem querem, tornando-se, também, apenas fantoches, alegres e inocentes.

Panem et circenses. Pão e circo. Dê comida e diversão ao seu povo e o terá sempre sob seu controle. Nunca dê comida demais, pois um animal alimentado quer sempre mais. E dê cada vez mais diversão, de preferência sem conteúdo. E ele se contentará sem precisar pensar.

Apesar de gostar da ideia geral desse mundo distópico criado por Suzanne Collins, e tendo lido 1984 (que é arrebatador), não posso deixar de sentir que falta algo. Mais repressão, mais dificuldade para confiar nas pessoas, para dizer o que pensa... Nos distritos, as pessoas podiam casar, ter filhos e algumas vezes até cometer crimes como caçar, sem repreensão, pois aqueles que aplicam as leis fazem vistas grossas. Não permanece assim durante os três livros, claro, mas funcionou assim por tempo suficiente para que Katniss e Gale se tornassem especialistas.

Quando se compara isso com 1984, a dificuldade do personagem para conseguir escrever, a história do país sendo constantemente modificada para melhor comodidade, as frágeis relações familiares, com filhos entregando pais para o governo, com amantes cada vez mais raros, com falsos aliados prontos para uma armadilha... dá para perceber que falta alguma coisa.

Apenas espero que, ao ler Jogos Vorazes, ao invés de se concentrar no triângulo amoroso que se desenrola lentamente, o jovem (público alvo, afinal), possa criar interesse em ler “1984” de George Orwell, ou “Admirável mundo novo” de Adouls Huxley. Ou Battle Royale, história com a qual Jogos Vorazes é constantemente comparada.

Mas funciona. Quem disse que tem uma regra? E, se houvesse, seria considerado um defeito da obra, apenas seguindo padrões estabelecidos.

O ritmo é empolgante, impossível parar antes de estar muito cansado ou, no meu caso, com a vista cansada. Você quer ler mais, quer conhecer Katniss, Peeta, Haymitch, Prim, Finnick e Johanna (ambos do segundo livro) e nunca parar! Como eu disse antes, li os três livros em 11 dias. E, em seguida, reli.

Comentários

  1. Cara, você tem a mesma opinião que eu, meu deus KKKKKKKKKKKKKKKK

    Meu personagem favorito na trilogia toda é o Peeta também. E eu concordo com praticamente tudo o que você disse. E como você falou, ou a pessoa ama ou odeia o Peeta. Interessante de ver nele é que ele não tem nenhuma habilidade que possa ser usada em arena (exceto camuflagem, mas mesmo assim), ele não é aquelas pessoas fortes e tudo o mais, mas acho que o Peeta é o que mais retrata o ser humano mesmo hoje em dia. Se pegasse qualquer um de nós e jogasse em uma arena, seria meio que assim mesmo. Enfim, acho que deu pra entender.

    Eu gostava muito do Finnick também, gostaria muuuito que tivessem focado nele mais, e claro, quase morri quando ele, bem...

    "Porém, ela é chata." Sério, eu comecei a rir aqui quando li isso auishoauihsiuahs por que na real... ela é chata mesmo! Tudo bem que é legal ser diferente de muitas personagens que vemos por aí, mas mesmo assim. No terceiro livro eu cheguei a achá-la insuportável em certos momentos. Especialmente quando o Peeta mais precisou dela, me irritou muito. E talvez seja isso mesmo, talvez essa história ficasse melhor em terceira pessoa, não focado só nela o tempo todo.

    Mas eu achei excelente a resenha! Eu gostei da trilogia, li em um segundo também, embora o último livro, como fechou a obra, não foi exatamente o que eu chamo de perfeito, ficou bom, eu recomendo, mas sabe... algumas coisas poderiam ter sido melhores rs.

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  2. Eu gostei muito da resenha, tô na sede de ler tudo a respeito de JV, aproveitando o clima de término de leitura! hahahaha

    Achei sensacional e detalhista sua análise, porém discordo de alguns pontos e ri muito de todos! Sensacional!

    Eu não comecei a gostar do Peeta logo de primeira, não. Achava ele um fofo, e se eu tivesse de escolher entre Peeta e Gale, escolheria o Peeta. Mas achava que a Katniss tinha de ficar com o Gale.

    Eu não consigo evitar comparar Crepúsculo com Jogos Vorazes porque são histórias narradas em primeira pessoa por adolescentes de 16 anos com um triângulo amoroso no meio. Claro, sem desqualificar as obras, que têm intuitos diferentes.

    Enfim, achava que ela tinha de ficar com o Gale (eu gostava muito dele) porque eram parecidos. Só que, ao longo da trilogia, o cenário mudou, então a relação deles também, daí me pareceu que houve uma mudança tal na estrutura física e emocional dos personagens que fez com que ela se parecesse mais com o Peeta. Uma mudança que começou na arena e terminou no terceiro livro, quando... bem... você sabe.

    Eu só fiquei angustiada quando vi que o Peeta foi raptado, passei páginas imaginando o que estaria acontecendo, e me identifiquei com a Katniss por isso; acho que foi aí que eu comecei a gostar mais dele (acho que eu me identifiquei muito com ela porque nós começamos a enxergá-lo juntas... hahaha)

    Mas eu sempre o achei fofo.

    Só que eu não consegui achar a Katniss chata. Em hora alguma. Talvez justamente por ver que ela é um ser humano, achei maravilhosa a riqueza da personalidade dela. A narração não me pareceu incompleta porque, que nem falei para o meu namorado, ela narra sem saber as coisas, no presente mesmo, mas com sensibilidade, alta capacidade de percepção. Eu achava o máximo as suposições que ela fazia dos entes queridos que a viam na arena, coisas como "Gale estaria rindo disso", e dá a entender que são impressões verídicas.

    Eu não conseguiria nomear um personagem preferido, gostei absolutamente de todos. E o Peeta era apaixonante. Por sinal, eu adorei o rosto do ator que escolheram, gostei muito da cara de bonzinho sem ser bonitinho demais, deu um algo a mais... eu vi muita fan-art e detestei, pareciam que haviam escalado alguém de High School Music ou de seriados da Disney.

    Sobre como a Katniss vai ficando chata, doida, fresca, eu interpretei isso como uma mudança de contexto, sabe, o mesmo contexto alterado que mudou a relação dela com Gale e Peeta. Enquanto ela era dona da própria rotina, enquanto ela era a caça e o caçador, enquanto ela lutava por si mesma e pela família, ela era completamente autônoma. Então ela é incorporada a um contexto de revolução, tornando-se uma fatia do bolo, o que alterou sua rotina e desestabilizou parcialmente sua autonomia. Achei muito condizente com a realidade dela. Esses surtos, essa mudança, essa pressão, acho que isso pode justificar o comportamento dela em relação ao Peeta. Como ela aprendeu a desprezar os próprios sentimentos para viver numa realidade tórrida, causticante, e por anos, acho que ela não soube reconhecer que o ataque de frescura dela para cima de um Peeta fragilizado na realidade era a fraqueza de estar apaixonada. Ela não entendeu isso, nunca mencionou isso, mas eu tenho certeza de que é isso. É quando ela se deu conta de preferia ele, mas estava tão acostumada a reprimir as próprias fraquezas que não se conhecia totalmente, e aí o sentimento retornou do recalque, aflorou em forma dessas explosões.

    A cena que mais me fez chorar, além da Rue, está na página 373 e foi o que causou a confusão da fim. E a atitude final dela em relação a isso me surpreendeu, porque eu esperava que ela confrontasse certas pessoas... só que isso não aconteceu. Não dessa forma.

    Enfim, muito bom, Soraya, muito bom!!! Adorei! :D

    PS: Eu sempre dou uma espiadinha aqui!

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    Respostas
    1. Por favor, ignore os erros de português...

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    2. Correção necessária: "A cena que mais me fez chorar, além da Rue, está na página 373 do ÚLTIMO LIVRO e foi o que causou a confusão do final. E a atitude final dela em relação a isso me surpreendeu, porque eu esperava que ela confrontasse certas pessoas... só que isso não aconteceu. Não dessa forma."

      Aliás, outro detalhe que amei: em um momento, quando pessoas começam a morrer, a Katniss não narra quem exatamente morreu; no "vamo-ver", ela só fala quem ainda está vivo, o que achei muito realista.

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  3. Aliás, só pra finalizar: acho que o fato de o triângulo amoroso ter sido insosso foi um reflexo do modo como Katniss lida com os próprios sentimentos. Como se ela não sentisse permissão de senti-los em um mundo onde se passa fome e se perde filhos para os Jogos... :D

    Beijão!

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